ENTENDENDO E TRATANDO O TRAUMA


No nível fisiológico, o trauma é uma excitação de altíssima energia no sistema nervoso que não foi possível ser descarregada. O trauma, portanto, interfere no funcionamento normal do sistema nervoso e é, em geral, acompanhado por sintomas físicos e perturbações mentais e emocionais. O impacto que produz este estado de alta energia no sistema nervoso pode ser acidental, como em uma cirurgia ou em um acidente de carro, ou ser desenvolvido ao longo do tempo, por exemplo: sensação de baixa autoestima, abuso emocional, medo crônico etc. Tratando o trauma e suas manifestações psicossomáticas O corpo é naturalmente configurado para retornar a um estado de saúde, após um evento de impacto emocional. Isto pode ser chamado de auto-regulação. No entanto, se vivenciamos situações de alto nível de estresse ou perigo sem ter a possibilidade de regular este alto nível de excitação do sistema nervoso através de fuga ou de luta, o corpo congela a energia. Este estado de congelamento é, a rigor, uma estratégia de sobrevivência muito primitiva do corpo. Posteriormente, caso haja espaço, tempo e permissão interna para isso, o sistema nervoso irá liberar esta energia represada, tornando-a novamente disponível ao sistema. No entanto, o que acontece geralmente é que o pensamento (padrões cognitivos) interferem diretamente nos mecanismos auto-reguladores, fazendo com que o trauma se mantenha preso na psiquê e no corpo. Quando um julgamento de valor é feito em relação a um determinado incidente de alta excitação de energia, dissociamos do que ocorre no corpo e nos movemos em direção aos pensamentos e às interpretações sobre o evento. Por sua vez, isto nos leva à emoções que ficam acopladas ao objeto, à pessoa, à experiência, produzindo um estado chamado de dissociação. Como a dinâmica do acoplamento nos afeta Vamos ilustrar isso com um exemplo: Maria tem de acionar rapidamente os freios do carro por conta de uma freada brusca de um outro carro à sua frente. Quando checa o espelho do retrovisor, vê que um carro atrás bateu na sua traseira. Ela encolhe os braços, seus ombros ficam tensos, o coração dispara. Como não há tempo de regular a alta quantidade de energia que surge por conta do impacto, seu sistema de luta e fuga não descarrega, mas congela tal cota de energia em seu sistema nervoso. Além dos sintomas físicos, ela passa a sofrer de ataques de pânico, insônia e perturbações gastro-intestinais. Como ela não sabe como lidar com o excesso de energia que ficou armazenado em seu corpo, permitindo descarregá-lo, inicia-se um padrão de pensamentos que se repete, como de culpa, de pena de si mesma, perda de controle, ou do tipo “Por que isso aconteceu logo comigo?”, “O que eu fiz de errado?”, “Se eu tivesse virado na outra rua?”, “E se o motorista estivesse mais atento!!?”. Por sua vez, suas sensações ainda desprazerosas estimulam ainda mais sua memória e seus sonhos. Sua sensação de desamparo a isola do contato com os outros e reforça seu estado emocional e fisiológico. Uma vez que ela não sabe se auto-regular, se compromete ainda mais com suas horas de trabalho, aumenta a quantidade de certas dependências (álcool, cigarros, por exemplo), inclusive de algumas que já havia superado há anos. A estrutura da dissociação no trauma A primeira dissociação ocorre com o julgamento de valor em relação ao estado de alta excitação energética corporal, ou seja, quando ela começa a "interpretar". Isto é inconsciente. Tal estado de alta energia torna-se acoplado, através de um julgamento de valor negativo: “Eu não quero sentir isso, eu não gosto disso, preciso vencer isso, tenho que lutar contra isso, etc”; as emoções que surgem são: desamparo, auto-piedade, perda de controle, culpa, vergonha, auto-reprovação etc. A segunda dissociação ocorre quando o evento, nesse caso, é interpretado e colorido pelo estado emocional. Portanto, o estado emocional de auto-piedade (“por quê eu?”), desamparo e culpa (“se o motorista tivesse mais atenção”) fica acoplado ao evento em si. No trabalho com os pacientes, lidamos com essa dinâmica de acoplamento no sentido de trazer mais consciência ao trauma, no modo como ele ainda está armazenado no corpo. A dissociação impede o sistema de se auto-regular. Portanto, é trabalho do paciente e do terapeuta explorar esta dissociação, identificando-a, sendo capaz de entender e liberar o resíduo ainda restante no sistema, possibilitando a cura do trauma. -------------------------------------------------------------- Núcleo de Psicologia Clínica e Psicossomática Marcação de consultas: (21) 98777-8141 ou 2705-1023 Não aceitamos convênios www.clinicapsic.com.br




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