FRONTEIRAS SAUDÁVEIS EM PSICOTERAPIA SOMÁTICA


FRONTEIRAS SAUDÁVEIS EM PSICOTERAPIA SOMÁTICA

Yuri Coutinho Vilarinho


Fundamental em meu trabalho em psicoterapia é o ajuste ou o restabelecimento da capacidade de colocação de fronteiras. É muito comum que o cliente possua muitas dificuldades em exercer estas fronteiras. Tal capacidade está ausente ou muito fragilizada nos casos específicos de estresse pós-traumático, fronteiriços ou dissociativos.


Quando ocorre alguma ruptura ou há fragilidade neste aspecto natural do indivíduo, surgem sensações de vulnerabilidade, medo ou pânico, uma vez que estas camadas mais básicas estão falhando em sua função de defesa.


Mas o que são fronteiras? Fronteiras são indispensáveis para o contato. Elas não o impedem. Pelo contrário, são a condição fundamental para o estabelecimento de um tipo de contato seguro, respeitoso e sadio. Não invasivo. É também a partir delas que podemos sentir nossa individualidade, isto é, saber quem sou eu e quem é o outro, o que me pertence e o que é externo a mim.


Existem muitas camadas de fronteira. Elas começam a se desenvolver bem no início do desenvolvimento, mesmo no útero de nossa mãe. Por exemplo, a partir do cordão umbilical e do umbigo, já podemos ter a capacidade de sentir o que queremos receber ou não no ambiente fetal. Mesmo quando adultos podemos usar a fascia que o envolve com a intenção de nos fechar para algo tóxico do ambiente externo.


Outros níveis são a pele e músculos específicos.


Começamos a sentir a pele, quando nos movemos no interior do útero. Energeticamente, ainda estamos em simbiose, mas temos já uma certa separação.


Com relação aos músculos, ao longo de nosso desenvolvimento psicomotor, alguns são utilizados no estabelecimento destas fronteiras em meio ao ambiente familiar. São elas que propiciam, nos primeiros anos de vida, o surgimento e o amadurecimento do nosso Ego.


Se há falhas em fases específicas deste desenvolvimento, formam-se padrões, e os mesmos perduram ao longo da vida do indivíduo adulto, refletindo em modalidades de relação mais ou menos sadias e funcionais. É importante frisar, ainda, que este processo maturacional torna-se ainda mais difícil e fragilizado em nossa cultura de desconexão com nós mesmos, em particular com o corpo.


Assim sendo, os trabalhos utilizados em psicoterapia somática auxiliam neste ponto de diferentes formas. Em especial, posições e movimentos específicos podem facilitar o amadurecimento psicomotor de músculos específicos que participam na manutenção dessas fronteiras. De modo geral, a psicoterapia auxilia na restauração da capacidade de entrar em conexão com o seu próprio corpo e com suas diversas habilidades psicológicas relacionadas.


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