Contato pele a pele precoce entre mães e recém-nascidos saudáveis


Contato pele a pele precoce entre mães e recém-nascidos saudáveis


Qual é o problema?


É comum que os bebês sejam separados das suas mães logo após o parto. Normalmente, na maioria dos hospitais, os recém-nascidos são entregues para as mães vestidos ou envoltos em panos, ou são colocados em berços abertos ou em berços aquecidos. Contato pele a pele (CPP), significa que o recém-nascido é colocado nu em contato direto com a pele do peito na mãe, assim que ele nasce ou logo depois. O CPP “imediato” quer dizer que o bebê foi colocado em contato com a pele da mãe nos primeiros 10 minutos após o nascimento e CPP “precoce” significa que o contato ocorreu entre 10 minutos e 24 horas após o nascimento. Nós queríamos saber se o CPP imediato ou precoce melhorava a amamentação e se ajudava na transição dos bebês para o mundo exterior.


Por que isso é importante?


Os benefícios da amamentação para as mulheres e seus bebês são bem conhecidos. Nós queríamos saber se o CPP imediato ou precoce poderia melhorar as chances de as mulheres amamentarem com sucesso. Ter contato precoce parece também auxiliar os bebês a se manterem aquecidos e calmos e também poderia ajudar com outros aspectos da transição do bebê para a vida fora do ventre.


Qual evidência encontramos?


Nós buscamos por ensaios clínicos randomizados de CPP imediato ou precoce publicados até 17 de dezembro de 2015. Encontramos 38 estudos (envolvendo 3472 mulheres) que tinham dados que puderam ser usados nas análises. A maioria dos estudos comparou CPP precoce versus cuidados hospitalares habituais em mulheres que deram à luz bebês saudáveis e com nove meses completos (a termo). Oito estudos incluíram mulheres que tiveram cesáreas e 6 estudos incluíram bebês saudáveis que nasceram um pouco antes do termo (com 35 semanas ou mais).


Mais mulheres que realizaram CPP continuavam amamentando entre o primeiro e quarto mês pós-parto, em comparação com as mulheres que não tiveram esse contato (14 estudos, 887 mulheres, evidência de moderada qualidade). As mães que fizeram CPP também amamentaram seus bebês por mais tempo, em média 60 dias a mais, em comparação com aquelas que não fizeram esse contato (6 estudos, 264 mulheres, evidência de baixa qualidade). Os bebês que fizeram CPP tiveram maior probabilidade de serem amamentados com sucesso na sua primeira mamada (5 estudos, 575 mulheres).


Os níveis de glicose (açúcar) no sangue dos bebês que fizeram CPP foram mais altos (3 estudos, 144 mulheres, evidência de baixa qualidade), mas a temperaturas deles foi semelhante aos bebês que receberam cuidados habituais (6 estudos, 558 mulheres, evidência de baixa qualidade). Porém, devido ao pequeno número de bebês incluídos nos estudos e à baixa qualidade da evidência, é difícil termos muita confiança quanto aos efeitos do CPP sobre os bebês.


As mulheres que dão à luz por cesáreas podem se beneficiar do CPP precoce, pois mais mulheres nesse grupo continuavam amamentando com sucesso entre o primeiro e o quarto mês pós-parto do que no grupo que não fez esse contato (14 estudos, 887 mulheres, evidência de qualidade moderada). Porém, o número de mulheres estudadas não foi suficiente para termos confiança neste resultado.


Não encontramos benefícios claros a favor de fazer o CPP imediato em comparação com o CPP após o bebê ter sido lavado e examinado. Nós também não encontramos nenhuma vantagem clara de fazer CPP prolongado (mais do que uma hora) em comparação com CPP por menos tempo. Estudos futuros, com mais mulheres e bebês, podem nos ajudar a responder estas questões com mais confiança.


Os estudos definiram CPP de várias maneiras e usaram escalas e tempos diferentes para mensurar diferentes desfechos. Tanto as mulheres como os funcionários sabiam que estavam sendo estudados, e as mulheres nos grupos de cuidados habituais receberam diferentes graus de apoio para amamentar. Essas diferenças levaram a uma grande variação nos resultados e reduziram a qualidade da evidência. Muitos estudos eram pequenos, com menos de 100 mulheres.


O que isso significa?


A evidência dessa versão atualizada da revisão apoia o uso imediato ou precoce do CPP para promover a amamentação. Isto é importante porque sabemos que a amamentação ajuda a prevenir doenças nos bebês e mantê-los saudáveis. As mulheres que dão à luz por cesárea podem se beneficiar com o CPP precoce, mas precisamos de mais estudos para confirmar isso. Nós ainda não sabemos se o CPP precoce ajuda bebês saudáveis a fazerem a transição para o mundo exterior mais suavemente após o nascimento; estudos futuros de boa qualidade podem melhorar nosso conhecimento a esse respeito.


Apesar das nossas preocupações sobre a qualidade dos estudos, e como os estudos incluídos não apontaram malefícios dessa prática, concluímos que a evidência existente apoia a realização do CPP precoce de rotina para recém-nascidos saudáveis incluindo aqueles que nasceram de cesárea e bebês prematuros nascidos com 35 semanas ou mais.


Conclusões dos autores:


As evidências apoiam o uso do CPP para promover a amamentação. São necessários estudos com grandes tamanhos amostrais para confirmar os benefícios dessa intervenção sobre a fisiologia dos bebês durante sua transição para a vida extrauterina e para estabelecer possíveis efeitos dose-resposta e o momento ideal de iniciar essa prática. A qualidade metodológica dos estudos continua sendo um problema.


Nossa confiança quanto aos benefícios do CPP para os bebês é limitada devido ao fato de que os ECRs foram pequenos, relataram diferentes desfechos, medidos em diferentes escalas e com dados limitados. Como nossa revisão incluiu apenas bebês saudáveis, isso limitou os parâmetros fisiológicos que puderam ser observados e dificultou a interpretação.


Fonte: http://www.cochrane.org/pt/CD003519/contato-pele-pele-precoce-entre-maes-e-recem-nascidos-saudaveis

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