Resolução de traumas na abordagem da Experiência Somática ® 

A Experiência Somática® é uma abordagem psicobiológica para o tratamento de ansiedade e estresse pós-traumático. Foi desenvolvida pelo Dr. Peter Levine, um dos líderes no campo de Transtorno de Estresse Pós-Traumático nos EUA. Segundo o Dr. Levine o trauma é fisiológico; é uma espécie de paralisia (imobilidade tônica) que ocorre quando as respostas de luta e fuga não podem ser completadas numa situação de ameaça à vida.

 

É especialmente indicado para o tratamento de Estresse Pós-Traumático decorrente de situações habitualmente reconhecidas como traumáticas - acidentes, procedimentos cirúrgicos, complicações pré e peri-natais, violências diversas, doenças graves, desastres naturais, acidentes de carro, assaltos, perdas afetivas entre outras situações. Mas também podem decorrer de acontecimentos aparentemente insignificantes, desde que o "susto" não tenha sido completamente descarregado.

Nos dois vídeos que se seguem, vemos  exemplos deste tipo de auto-regulação biológica ao qual à SE se refere e norteia o procedimento terapêutico. No primeiro dos vídeos, podemos ver como um estado de congelamento/dissociação transitória pôde salvar a vida da impala.

 

Vemos que o seu choque (o que parece para nós seres humanos um "fingir-se" de morta) serve como estratégia de sobrevivência de seu sistema biológico.

 

A impala caída não está morta. Embora, por "fora" pareça mole e imóvel, por "dentro", o seu sistema nervoso está muito ativado devido à perseguição de setenta quilômetros por hora. Embora esteja quase sem respirar, o coração da impala está bombeando sangue em taxas muito elevadas. Seu cérebro e corpo estão sendo inundados pelas mesmas substâncias (por exemplo, adrenalina e cortisol) que propiciaram sua tentativa de fuga. 

Como única alternativa biológica disponível, a impala "congela" instintivamente, como última estratégia de sobrevivência, uma vez que há a possibilidade restante de não ser devorada. Além disso, caso o seja, estará "congelada" por hormônios específicos de forma a ser anestesiada. No entanto, ela consegue escapar. 

 

Neste tipo de evento, ela volta à sua vida normal, sem exibir quaisquer sintomas produzidos pelo evento potencialmente traumático. Nesta perspectiva, salientamos que o "trauma não está no evento em si", mas no próprio sistema nervoso, que pode ou não se adaptar às circunstâncias ameaçadoras da vida.

Neste segundo vídeo, vemos um urso polar acompanhado por uma equipe de pesquisadores em um helicóptero. O urso tenta escapar, mas é acompanhado e atingido por tranquilizantes a partir do helicóptero, o que lhe coloca num estado de paralização provocada pelos elementos químicos do tranquilizante. 

 

Conforme o uso polar sai de seu estado de congelamente induzido quimicamente, podemos ver os tremores manifestados em seu corpo e a descarga da energia represada durante o seu estado de medo.

 

Após alguns momentos, podemos observar ainda sua respiração profunda, sinalizando o fim da descarga dessa energia.

 

 

Este tipo de reação é comum no tratamento com resolução de traumas em seres humanos. É exatamente devido a este tipo de descarga que os animais na natureza raramente são traumatizados.

 

Segundo os pesquisadores, este tipo de auto-regulação corporal é condição fundamental para que o animal possa voltar à sua vida sem apresentar prejuízos em seu funcionamento normal.